<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752</id><updated>2012-02-16T14:56:42.954-08:00</updated><title type='text'>Tempestades</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-357641986260368518</id><published>2010-02-02T05:38:00.000-08:00</published><updated>2010-02-03T04:47:04.720-08:00</updated><title type='text'>Outro Fevereiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A serra que acolhia a aldeia afastava-se do dia, projectando o sol o seu brilho quase-dourado na alta  parede de granito que se erguia a Este. O maciço, qual guardião, imponente e sereno, não se sensibilizou com o cenário que se formava então no centro da pequena povoação. Não se agitou com o aglomerar das gentes, nem com o erguer das três piras de madeira e tão pouco se comoveu quando as três mulheres, despidas e sangradas, foram levadas - em rigor arrastadas -  sem pudor, entre os gritos de uma povoação em êxtase, até ao local da sua purificação. Assim são os penedos e este em concreto, nem mais nem menos que os restantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite ia-se revelando mais, já com Vénus presente, quando a tocha foi acesa. O senhor Matias dirigiu-se a medo à primeira pira, fecundando-a de fogo. E, crescendo-lhe a coragem e  a audácia pela confirmada impunidade, repetiu o gesto para as restantes duas. As chamas irromperam então alimentadas pela fúria da carqueja pintando de fogo também as caras da, então, por momentos, silenciosa audiência. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ás três mulheres não lhes encantou assim tanto o cenário. Nem o penedo manchado do sol nem depois as faces expectantes maculadas de fogo, todas de olhos brilhantes como astros. Não as comoveu o cheiro da carqueja, nem o seu murmúrio ardente, nem tão pouco o reconciliador aroma de fogueira. Trepavam-lhes as chamas como serpentes, gritavam só elas agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E mais ao longe, na manta da noite, uma alcateia observou. Despertou-a os vapores que se dispersavam pela serra com o sempre encantador cheiro de carne cozinhada. Os olhos ponderantes no foco de luz, a mente presa no salivar e no pudor do pensamento &lt;i&gt;...mas Humanos, &lt;/i&gt;que lhes afugentava o desejo. Libertaram-se as feras. Gritos. Palmas. Saltos. Abraços. Os estômagos, alisados pela labuta do dia e pela miséria, agitavam o mundo.  E o fogo a fazer a pele soltar-se da carne, as unhas estalarem. O fogo a consumir os pêlos, demorando-se pelos seus ventres, cozinhado-lhes o sexo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o senhor Matias menos eufórico, algo confuso, a perguntar-se por Deus sem notar que estava sob a espada de Orion. Ele, que em novo, tinha descoberto que o amor de Deus era tão amplo que O podia amar no chão da sacristia, provando a tumescência que lhe melava mornamente os beiços, segurava agora a chama ígnea que libertaria aquelas mulheres nos reinos do Senhor. E no entanto olhava nos olhos delas e reconhecia-se na agonia, no desamparo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A aldeia, presa no casulo de luz, a crepitar de gorduras que ferviam e seios que derretiam. Raquel de chamas hasteadas nos cabelos a olhar uma última vez para o céu nocturno.  A perguntar-se se sempre teria ali estado. A pensar que de noite tudo se revela quando cai o véu ofuscante lançado pelo Sol, &lt;i&gt;Porque quis Deus nos cegar? &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-357641986260368518?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/357641986260368518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/357641986260368518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2010/02/outro-fevereiro.html' title='Outro Fevereiro'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-1419049060623748197</id><published>2010-01-10T17:31:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T05:44:07.722-08:00</updated><title type='text'>Homem de Deus.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uso uma pequena banheira pendurada ao peito. Qual o mistério? E, nos dias em que estou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;prênho&lt;/span&gt; de aflições, torneio a minha mão em volta da fria loiça para chegar a Deus. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, obviamente que as torneiras não funcionam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E não me fere o descrédito dos que me rodeiam, sei que um dia, tal como eu, vão compreender. Pois também eu era descrente. Achava todas as ideias espirituais redutoras, todas elas atalhos para a pequenez. Agora SEI porque sinto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou-me em forma de sonho-visão a revelação. Se em uma das duas teria de ser, porque não em ambas? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui encaminhado, em algo semelhante a um delírio, até um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;protoestado&lt;/span&gt; pré-cósmico onde me foi revelado o evento da criação. Deus, na sua higiene pessoal, banhando-se num duche de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;mantras&lt;/span&gt; em estado liquido, escorregou na banheira. E asseguro-te que a queda foi violenta, a contusão em si, avassaladora. E ainda hoje se encontra prostrado na banheira, num profundíssimo coma, como que a sonhar-nos, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;tetraplégico&lt;/span&gt;. Vejo-o ainda, tanto em sonhos como na simples imaginação, com o chuveiro infinitamente a cobri-lo de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;mantras&lt;/span&gt; - alguns deles com o tempo tornaram-se já em avé-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;marias&lt;/span&gt; - e o pobre infeliz, inconsciente, sem ninguém que o auxilie.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é por isso que desde sempre os Homens o tentam alcançar. Esse esforço não é mais que o próprio esforço de Deus para se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;soerguer&lt;/span&gt; do coma. Infelizmente, temo que desconheça que se encontra paralisado, e que, caso um dia volte a acordar, o espera uma eternidade sem ter quem o tire da banheira. E muito menos alguém que lhe venha a empurrar a cadeira de rodas ou mudar-lhe as fraldas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade não existe qualquer dignidade em Deus. Por isso agora creio Nele. É por isso também, que alguns dos poucos que compreendem a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;tetraplegia&lt;/span&gt; de Deus, o procuram matar. Não é tanto por piedade mas mais por considerarem que embora não seja possível qualquer dignidade Divina, nós ainda temos Direito a tal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não eu. Sou agora um Homem de Deus. Nem me questiono sobre quem, ou o quê, terá criado Deus, porque encontrei o meu caminho para a pequenez. E muito menos equaciono Ele não existir. O deserto da espiritualidade é uma planície seca onde nem os répteis me ousam visitar. Aqui não É a Morte ou a Inacção mas invariavelmente a morte pela inacção. A subliminal desidratação dos sentidos, a hipnotizadora dança dos escorpiões da auto-ilusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estás a ver?! É nestes momentos assim, quando me começo a sentir perscrutado por olhos de &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;órbitas&lt;/span&gt; vazias, que sobrevivo ao sentir o frio da loiça que baloiça pendular no meu pescoço... Então fecho os olhos e oiço claramente o crepitar das gotículas a embaterem sobre o Seu corpo inanimado. Sigo o som a ascender das paredes da banheira, percorro o traçado vibrante das moléculas a transferirem energia de umas para as outras até ao ponto em que toda a casa de banho cósmica se encontra repleta, saturada, de um ressoar imenso. Mas nunca me abandona o horror de saber que Deus não o escuta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-1419049060623748197?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/1419049060623748197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/1419049060623748197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2010/01/homem-de-deus.html' title='Homem de Deus.'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-634168328740988794</id><published>2009-10-07T07:19:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T07:28:35.942-07:00</updated><title type='text'>Gatinhos para dar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A lei decreta que assim seja. E por mais absurdo que soe, a lei embora decrete é pouco mais que impávida para quem não a lê. Não deixou, no entanto, de ser absurda a imagem da mulher que entrou pelos fundos da rua, envolta num vendaval de folhas de calendário, gritando – O Mundo vai acabar!! O Mundo vai acabar!!! – sem no entanto lhe ocorrer que gritar pelo fim do mundo é como gritar pelo fim do dia, ou das estações, em suma, é gritar pela finitude das coisas finitas.  E lá vinha ela ao reboliço num caos de dias e anos, cheia de esperanças e de gritos tais que lhe saltavam pedaços de carne das paredes rasgadas da garganta, clamando que fosse o mundo a mudar e não ela. E assim continuou, acordando os gatos que dormiam nos parapeitos e que, após a olharem da forma como se olha o mundo, rolaram sobre si mesmos procurando de novo o sono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A urgência leva a tais pobrezas de espírito e a verdade é que a vida é toda ela urgência. Realiza-se assim o destino de tão pobre criatura, condenada à patologia que a irá confinar à imbecilidade. E no fundo essa é a história da História. Paranóia e obsessão, envoltas com aquilo que de mais nobre temos, criaram o monstro que se busca sempre para além dele, como se ele fosse ausente em si, apontando o dedo, gritando, condenando, enfim, gerando uma sequência milenar de mundos (i)morais que acabam já amanhã e de passados que sorriem silenciosos, trocistas da febre pelo fim das coisas. Trágico é que no meio de tudo isto seja tão desrespeitado o descanso dos felinos e, mais ainda, a nobreza dos dragões que construíram o universo do seu suor e indiferença.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eis que, já a meio da rua, a mulher se precipita contra o solo de queixo estrondoso na dureza do asfalto. À sua volta ainda o vendaval de folhas soltas, semanas inteiras agora maculadas do seu sangue e ela atrapalhadamente a tropeçar nas palavras, a lutar consigo para se levantar. Falhando, no entanto, sempre prontamente lançada pela magnânime Gravidade de encontro à poça de sangue, e ao seu fundo, que o seu queixo aberto alimentava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os gatos então se sentaram para observar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E a mulher já era só um emaranhado de queda, sangue, gritos e absurdo. Por uns momentos via-lhe a cara à tona, toda muco vermelho, pastosa, onde irrompiam de novo os fins do mundo – O Mundo vai acabar!! O Mundo vai acabar!!! –  anjos, - anjinhos- alinhamentos planetários, calendários a voar e a gravidade a calcá-la debaixo do seu calcanhar e depois, depois o silêncio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Silêncio que é igual para todos, para os que guardam para si a arrogância de contemplar na sua mente a fria sabedoria do TODO e para os que se limitaram a voltar ao leito dos parapeitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Pois a lei decreta que assim seja.” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-634168328740988794?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/634168328740988794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/634168328740988794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2009/10/gatinhos-para-dar.html' title='Gatinhos para dar'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-2047277855224625216</id><published>2009-04-24T05:42:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:20:47.955-08:00</updated><title type='text'>A dormência sobre a qual as pedras murmuram</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quantas vezes dou por mim a viver aquele local, como se lá estivesse, visualizando vividamente os seus detalhes, levado pelos contornos da imaginação e da memória do mesmo, ouvindo-lhe a vida dos insectos que nele pulsam, as abelhas que trabalham para lhe dar os encantadores tons, num zumbido que inflama a serra, quase como se fosse essa a sua voz. E nos fins de tarde frequentemente invejo-lhe o dourado com que o sol inunda aquele vale pintando as pedras, e o gado que se retira em resguardo da noite. Onde estará a manada agora? E os cavalos tão absurdamente livres com os seus potros, que se agitam de juventude até lhes faltarem as forças sobre o calor abrasador que só os montes dissipam, quebrando-se logo ali, puxando a si a coberta de uma sombra. E nas noites de insónia, quando já os pensamentos me exaustam, quando a cama se afigura já como a minha sepultura, viajo até lá, fixo os olhos da mente naquele céu magnífico só perturbado pelo recorte cuidado e elegante dos montes que me circundam. Como me invejo por não estar ali naquele momento, como invejo a parte de mim que já lá esteve, e que acordou sobressaltada com os uivos. E tento sentir quem os uivou, onde estão, o que fazem, o que pensam agora. A morte, a morte gloriosa no seu labor de fundir a vida com as montanhas, o cavalo que se diluía por entre as ervas, já só parcos ossos e os cascos sobrando como suporte de uma liberdade então fria, alheia, mais do que esquecida. O crânio da cabra à torreira do sol, ainda putrefacto, mais do que inconsciente, e mesmo ali, nos prados, mas mais à frente, onde a montanha se inicia a precipitar rumo à medíocre vila, planam as aves de rapina elevadas nos braços das correntes ascendentes, talvez se interrogando sobre o estranho bicho que eu sou. E tudo isto, e mais, sinto-o como se fosse um pensamento inexprimível, que não pretendo alcançar com estas poucas palavras escritas, mas que me agonia em parte por não o poder partilhar com todos aqueles com que gostaria, como o meu Pai, que irá morrer sem conhecer este lugar onde habito. Este pensamento que vale mais que uma infinidade de pensamentos Humanos, fruto de um labor que se mede em milhões de mãos cheias de Tempo.&lt;/div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-2047277855224625216?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/2047277855224625216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/2047277855224625216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2009/04/dormencia-sobre-qual-as-pedras-murmuram.html' title='A dormência sobre a qual as pedras murmuram'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-4925743556917738175</id><published>2009-04-23T09:54:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:21:20.437-08:00</updated><title type='text'>Sobre o violento silêncio dos actos não descritos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Lucida Grande&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: Calibri;mso-fareast-theme-font:minor-latin;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font:minor-bidi;mso-ansi-language:PT;mso-fareast-language: EN-US;mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:11.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;Voava ela no espaço, que julgo ser-lhes amplo, rodeada de milhares de quadrículos que forram as paredes, por entre quadrículos maiores abaixo e a branca aspereza do tecto, ou seja, na casa de banho, penso que evitando as monumentais estruturas, cálidas, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;reflexantes,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt; que se erguem lá, com alguma exuberância até para mim. Tendo já evitado outra estrutura, esta castanha e alta com uma chama no extremo, quando cruzando também os ares, precipitou-se sobre o azul das águas que residem no fundo da sanita, um fio dourado -vulgo mijo- respeitando as imperiosas leis da física,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;precipitou-se, glorioso à escala de tão pequeno Ser, embatendo contra a loiça branca, ao que se ergueram, contradizendo por instantes a gravidade, penso que, milhares de gotículas ricocheteando, que imperceptivelmente se voltaram a juntar ao fluxo -digamos torrente para acrescentar drama-, à torrente, que discorria rumo às águas da sanita, fundindo-se com a substância, direi &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;Lucida Grande&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:Calibri;mso-fareast-theme-font:minor-latin;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-theme-font:minor-bidi;mso-ansi-language: PT;mso-fareast-language:EN-US;mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:11.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;cerúlea&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;, do WC Pato -Aquazul- originando aí o pequeno milagre, talvez inconcebível para a pobre mosca, onde o azul se tornaria verde. Quem sabe fruto desta transmutação, a mosca entrou pairando um tanto ausente nesse espaço reservado ao uso da pia, e do qual, por questões de segurança, deveria forçosamente evitar, e para mal da pobre, os meus olhos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="EN-US"   style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-ascii-font-family:&amp;quot;Lucida Grande&amp;quot;; mso-fareast-font-family:Calibri;mso-fareast-theme-font:minor-latin;mso-hansi-font-family: &amp;quot;Lucida Grande&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-theme-font: minor-bidi;mso-ansi-language:PT;mso-fareast-language:EN-US; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:11.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;…&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;font-family:&amp;quot;Lucida Grande&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:Calibri; mso-fareast-theme-font:minor-latin;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font:minor-bidi;mso-ansi-language:PT;mso-fareast-language: EN-US;mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:11.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt; Verdadeiramente, para mal da pobre, os meus olhos, mecanismo de uma precisão verdadeiramente diabólica, que nesse momento, ao fitarem-na, despertaram em mim um instinto que nem tão pouco reconheço como vulgarmente meu, em que coordenando a trajectória da urina, com a rota esperada da mosca, cometi o vil acto de a assassinar ali , projectando-a contra o verde das águas contaminadas pelo WC- Pato Aquazul e a minha urina, e agora -na altura-, também então pelo espírito e o corpo desse Ser, que tão vilmente matei sem lhe perguntar pela família, nem sequer enquanto rodopiava na espiral suprema provocada pela descarga do autoclismo, que veio &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;novamente apagar o verde e o crime, com aquele azul tão belo e profundo do WC-Pato Aquazul.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-4925743556917738175?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/4925743556917738175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/4925743556917738175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2009/04/sobre-o-violento-silencio-dos-actos-nao.html' title='Sobre o violento silêncio dos actos não descritos'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-3541580038986530546</id><published>2009-01-27T08:16:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T05:21:36.960-08:00</updated><title type='text'>Em paralelo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um passo e outro, mais outro ainda, a escuridão dir-se-ia ofuscante pela forma como inunda os olhos ocultando tudo em redor. Um passo, outro passo, aqui e ali gotas que ressoam discretamente e que juntamente com os passos ecoam, quase que timidamente, no espaço. No fim de cada ruído um abismo de algo grave e vibrante, algo verdadeiramente impossível de descrever de forma clara e que se não fosse do conhecimento geral que o som não se propaga no vácuo, alguém pleno de ignorância diria que era fruto dos triliões de corpos que de uma forma ou outra se deslocam pelo universo. Surge então aquele turbilhão de pânicos, aquela insustentável consciência de que temos de fugir do vazio se queremos ser, enquanto em terror cada passo que se dá profana o ressoar. Talvez seja o corpo a funcionar que o provoque mas por mais que se busque não se escuta o coração, apenas e sempre o som grave, que nem som é em verdade, e que após cada ruído, cada passo, cada gota, surge de rompante novamente, como uma onda furiosa a rebentar que se desloca algures entre os espaços, nem dentro nem fora do corpo, mas em contacto com o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora abdicara mesmo de se mover. Agora abdicara mesmo de se mover. Agora abdicara porque havia encontrado um local mais seco, sem as gotas a trautearem as suas quedas, sem profanações. Agora abdicara mesmo de se mover porque se havia entretido a procurar na tranquilidade da escuridão a natureza da sua inquietude.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando se escuta com cuidado, nada ouvindo, encontra-se uma noção de urgência que se escapa, algo de electrizante que parece inflamar as faces ao mesmo tempo que aparenta ocupar todo o cérebro ao ponto de o poder fazer rebentar. Há algo neste sono dos fotões que apela à desumanização, como se fosse possível sondar algo que não é mas que existe, como se todas as contradições pudessem coexistir para além do Caos e da Ordem, mesmo além dos cachos de Universos e dos caules que os unem. Um passo, outro passo, mais um passo ainda, quebra-se a multidão de silêncio, desfia-se o pensamento em pequenas cordas vibrantes que se estendem até pouco mais que o infinito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora decidia mover-se. Agora decidia mover-se. Agora decidia-se porque não lhe restava escolha. Pudesse eu falar com ele e dizia-lhe o que via. Sem que se desse conta ele mesmo se desfiava a cada passo mesmo quando quieto. Atrás de si no Tempo uma linha por cada parte de si, um tecido impossível de conceber em que ele mesmo se iria diluir. Um emaranhado de tudo o que foi desagua no que é agora e mesmo olhando para trás não o veremos, não vemos o passado mesmo quando ele estrondoso nos vibra. E não adianta procurar ângulos novos, perspectivas... Acende-se por dentro um turbilhão com um vislumbre, a própria mente dobra-se sobre si mesma, como que por momentos lançando-se nesse outro sentido, algures entre os espaços, nem dentro nem fora do corpo, mas em contacto com o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quebrou a escuridão com o silvar do isqueiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sereno seguiu pelas avenidas de sonhos de Tritão, contemplando a majestade gélida que mais que uma presença no horizonte era o Horizonte em si. E ali ficou contemplando até emergir a coragem para os próximos passos, agora bastava-lhe o que via, o irradiar gélido e luminescente pleno de glória e o fumo do pica que fumava a despenhar-se gelado sobre o solo. O fumo a estilhaçar-se, crepitando mal lhe saía das narinas e que formava, lentamente conforme se aglomerava, uma pequena torre cinza mas de ténue brilho azul. Menos que uma torre seria um pequeno monte, mas a esperança, a ambição e sobretudo a liberdade a que se dava no Tempo, permitiam-lhe aspirar a uma torre, não fosse a escuridão voltar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-3541580038986530546?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/3541580038986530546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/3541580038986530546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2009/01/em-paralelo.html' title='Em paralelo'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-4748903058392136730</id><published>2008-11-07T09:10:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T05:22:46.582-08:00</updated><title type='text'>A dádiva</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele andava perturbado, assombrado. Pesava-lhe o semblante interiormente muitas vezes ao dia. Dava por ele a cair em poços profundos aparentemente por nada, absolutamente por Nada. E quando caia via-se abstraído de onde lhe pousavam os pés, alheio, e sucessivamente ocupava-se a perguntar a esse Nada questões que o deixavam atónito, quase enfeitiçado pelo que lhe pareciam ser as paredes que o limitavam. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Enlevado&lt;/span&gt; apaixonou-se pelas suas texturas, provava-as questionando, tocava-as com fluentes multidões de infantis porquês - Porquê? Porquê assim, e se assim  porquê? Porque Nada?! Então, mas, se porque Nada porquê? - E perseguia esse Nada sem compreender o quão longe do chão ficava, conquistando espaço em cada questão viu-se a deslizar até um ponto em que tudo era apenas isso, pontos suspensos no Vazio, tão longe que não reconhecia a sua casa, o seu lugar. Sentia-se diluído no total do espaço a que chamamos Universo, parte integrante e sensível do mecânico e alheio corpo divino, mas os porquês sucediam-se, sempre a palpar os contornos do Vazio. E tal se tornou a vertigem que até em pleno sono se via mergulhado atormentado pelas suas visões. Sentia-se agora asfixiado pelo próprio Universo sensível, como se nos seus delírios Ele já não fosse por si uma fonte de perguntas, como se esse confinado espaço lhe estivesse agora disposto a deixar passar as fronteiras do firmamento, concedendo aquilo que agora lhe parece inconcebível. Uma dádiva envenenada de questões impossíveis de materializar formalmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-4748903058392136730?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/4748903058392136730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/4748903058392136730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2008/11/ddiva.html' title='A dádiva'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-9031791047941567523</id><published>2008-10-15T08:37:00.001-07:00</published><updated>2010-01-11T05:21:53.420-08:00</updated><title type='text'>Espargindo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Todos nos movemos por alguma razão, nem que seja porque não podemos estar parados. A gravidade lança-nos amarras ao corpo e nem tão pouco em pensamentos nos conseguimos em absoluto libertar. E em lenta centrifugação nos diluímos uns nos outros, confluímos ideias, fundimos corpos e noutras vezes, talvez em soberana paixão, dilaceramos a forma e a alma alheia deflagrando-lhe o nosso mais vil e violento gesto. Ao mesmo tempo aspiramos veemente a ser mais, mais do que algo que não se sabe o quê... Pois eu acho que não podemos ser mais, não mais que putas e vilões. Não mais que palavras sem qualquer fundo de verdade, porque a verdade ilimitada e independente é só uma e chama-se Universo. Tudo o resto acaba, em absurdo, por ser vazio em si.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto posso dizer que me foi dito sofregamente no mais horrível dos cenários. Era uma sala pequena repleta de uma luminosidade pálida, que mais que luz aparentava-se com uma espécie de fumo ou neblina, mas que de facto era luz, uma luz que se ia esbatendo em direcção ao recanto mais distante da divisão até se tornar profundamente negra. E lá deitada estava uma mulher nua. Mas não foi ela que o disse, pois essa mulher encontrava-se morta, de barriga aberta e com entranhas espalhadas um pouco por toda a sua beleza e na sua barriga estava um recém-nascido. Mas não foi ele que o disse, pois o recém-nascido havia-se suicidado de dentro da barriga da própria mãe com um tiro na cabeça. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui eu que o ouvi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="color: rgb(179, 179, 179);   line-height: 20px; font-family:Trebuchet;font-size:13px;"&gt;- Todos nos movemos por alguma razão, nem que seja porque não podemos estar parados. A gravidade lança-nos amarras ao corpo e nem tão pouco em pensamentos nos conseguimos em absoluto libertar. E em lenta centrifugação nos diluímos uns nos outros, confluímos ideias, fundimos corpos e noutras vezes, talvez em soberana paixão, dilaceramos a forma e a alma alheia deflagrando-lhe o nosso mais vil e violento gesto. Ao mesmo tempo aspiramos veemente a ser mais, mais do que algo que não se sabe o quê... Pois eu acho que não podemos ser mais, não mais que putas e vilões. Não mais que palavras sem qualquer fundo de verdade, porque a verdade ilimitada e independente é só uma e chama-se Universo. Tudo o resto acaba, em absurdo, por ser vazio em si.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-9031791047941567523?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/9031791047941567523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/9031791047941567523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2008/10/todos-nos-movemos-por-alguma-razo-nem.html' title='Espargindo'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-7022977068506712514</id><published>2008-10-11T03:33:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:22:19.562-08:00</updated><title type='text'>V</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pensamento é um local denso. Percorro as ruas a custo, passo a passo, rendilhando a cidade como que perdido, divagando. Sinto os pés pesados como que a andar contra uma corrente que ao olhar para o chão, constato. As ruas são então leitos ocultos sob torrentes de sangue. Com esforço subo mais uma colina por um emaranhado de paralelos e perpendicularidades, dobro a esquina, com mais esforço ainda, e ao contornar o ultimo e maior dos edifícios vejo toda a cidade coberta de um carmim iridescente a desaguar no Tejo. Ao fundo, além da ponte, um orifício incandescente no céu de onde surde a jorro o sangue. Continuo então a caminhar a custo, é tão denso o local dos pensamentos! Ao chegar à Rua Augusta decido subir ao Chiado e ai, subir ainda mais até me cruzar com o Pessoa, onde ele firme e de perna cruzada resiste resoluto ao caudal. Procuro o largo do Camões e não o encontro. No seu lugar há um jardim, um éden vibrante onde me decidi a esperar que a loucura passe na sombra dividida de duas árvores, uma de cerejas cristalizadas, a outra de pêssegos em calda. Virado para a Rua do Alecrim, onde a corrente desaba furiosa, ocupo o tempo a ver a agonia bovina dos arrastados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-7022977068506712514?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/7022977068506712514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/7022977068506712514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2008/10/o-pensamento-um-local-denso.html' title='V'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-812967987400398116</id><published>2008-06-27T07:33:00.000-07:00</published><updated>2008-06-27T08:07:12.274-07:00</updated><title type='text'>2</title><content type='html'>Dois Homens vagueiam pelo deserto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O futuro está para a frente, vem em último.&lt;br /&gt;-O passado está atrás mas vem primeiro.&lt;br /&gt;-E o presente? O presente nem chegou nem vai chegar e no entanto é eternamente.&lt;br /&gt;-Estranho é o tempo.&lt;br /&gt;-Não menos o espaço.&lt;br /&gt;-Sim, certamente. Entre as minhas mãos há uma distância infinita que posso conter na finidade dos meu braços.&lt;br /&gt;-É isso mesmo, dividir o finito infinitamente.&lt;br /&gt;-Passatempo dos melhores!&lt;br /&gt;-Ocupa-se o tempo com o espaço.&lt;br /&gt;-Sim, faço-o desde pequeno. Ocupava tardes inteiras a desejar a cegueira das pedras.&lt;br /&gt;-Eu, quando que me perguntavam o que queria ser quando crescesse, respondia sempre que queria ser pó.&lt;br /&gt;-Ah,Ah! Resposta original. Agora também penso assim. Felizmente que não me tornei pedra, não teria paciência para tanto.&lt;br /&gt;-Então boa tarde!&lt;br /&gt;-Boa tarde!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-812967987400398116?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/812967987400398116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/812967987400398116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2008/06/2.html' title='2'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-8846106633774783951</id><published>2008-06-25T10:35:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:23:21.736-08:00</updated><title type='text'>O Diabo é um Homem doido</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A loucura apresenta-se como o além, o desconhecido. É um reino oculto para o Homem vulgar, tocado por alguns e habitado por poucos. A esses, sempre tão vulneráveis como qualquer outro Homem, acresce-lhes  semear o medo aos restantes que de uma forma ou outra se ancoram pela "normalidade".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O seu poder demoníaco assenta no fosso intransponível  que separa as realidades, na incapacidade de compreender porque motivo dada mente fez da curvatura espaço-tempo um circulo e nos abandonou à nossa domesticação perfeita. Que animal é aquele que vive em nós, que espírito se oculta nas primitivas profundezas do nosso cérebro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Irá Ele acordar um dia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E como resposta oferecemos uma prisão, escondemos dos olhos do mundo que existimos. Se o Diabo bate louco na janela, parece-me que aspira à liberdade... Não será tão louco quanto isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed width="448" height="361" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" src="http://i170.photobucket.com/player.swf?file=http://vid170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/movv.flv"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Clip retirado do filme "Titicut Follies" de Frederick Wiseman com o som posteriormente editado/manipulado por mim.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-8846106633774783951?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/8846106633774783951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/8846106633774783951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2008/06/o-diabo-um-homem-doido.html' title='O Diabo é um Homem doido'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-2182364571555755010</id><published>2008-05-29T11:18:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:23:32.982-08:00</updated><title type='text'>Veneno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para ser sincero o veneno é belo, escorre-me pela ponta do queixo até ao pescoço, mela-me as mãos como a uma criança. O Veneno, para ser honesto, tem tons de  oiro e brilha-me no corpo. E no fim das tardes de Verão, o veneno dissolve-me, canta-me da terra ressequída, sôfrega da noite, oferece-me o sufoco murmurante dos solos cobertos de asfalto. O veneno faz, enquanto eu olho o céu, as estrelas pousarem incandescentes nos meu olhos e eu nem me atrevo a pestanejar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O veneno lapida-me, é fricção, arranca de mim o que é velho, funde-me os extremos. Cabe-lhe o lugar de diluir os mundos, rasgar a pele do espaço perpendicular à minha natureza. Ser memória por viver, inacção realizada, presente, passado e futuro mas menos, esquina de uma recta feita de gestos de dragão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-2182364571555755010?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/2182364571555755010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/2182364571555755010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2008/05/para-ser-sincero-o-veneno-belo-escorre.html' title='Veneno'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-1545611332737952452</id><published>2008-01-11T03:56:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T05:23:55.981-08:00</updated><title type='text'>O Ser</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me de estar numa sala imensa. O chão era uma enorme superfície de madeira salpicada de tapetes coloridos, as paredes altas, mais altas que o normal e a luz que iluminava o espaço provinha de uma ampla janela de onde brotava a parca claridade típica de um dia de Outono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No espaço circulavam uns poucos seres gigantes, pouco me lembro deles, só que, se não eram mudos, aparentavam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pouco mais me lembro que isto. Tenho também, uma muito vaga ideia de que junto comigo haviam outros semelhantes a mim, mas deles nada soube. Algo em mim, uma força que embora sendo minha não me pertencia, cavou um abismo impossível de transpor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ali fiquei, sentado no chão, submerso numa agonia que ainda hoje consigo reviver ao pormenor. Lembro-me claramente de sentir todo o meu corpo prestes a rebentar devido ao choro convulso em que caíra, lembro duma angustia sem consolo possível, uma raiva, que me fez esquecer provavelmente as vezes em que um desses seres gigantes me tentou resgatar a uma calma que nunca seria minha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este foi o meu primeiro e único dia no infantário. No dia seguinte libertaram-me de novo nos campos de cereais que me pintavam o olhar, e onde, sem o saber na altura, um dia iria correr como que a cada passada quebrando as correntes que o mundo me havia prometido. Ali, onde me tornaria no Homem e no Monstro que sou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-1545611332737952452?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/1545611332737952452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/1545611332737952452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2008/01/o-ser.html' title='O Ser'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-5116239506959908083</id><published>2008-01-02T08:46:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T05:24:07.825-08:00</updated><title type='text'>III</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espreito pela janela do comboio e os céus ainda estão cinzentos. Abençoados sejam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os fantasmas por aqui deambulam como sempre, vestidos da sua morte. A mim cobrem-me as vestes deste ódio dourado que me fez cego para o mundo. Lá fora o rio segue sempre cheio dos meus pensamentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À volta do meu pulso firma-se algo – a tua mão. Gritam os carris, os fantasmas, o Rio, os céus, A velha Leviatã! O choro Dela é meu! Os bandos de chapéus-de-chuva a voarem paralelamente ao comboio recolhem-se, recolhe-se o mundo, numa esfera de improvável azul, fecham-se as pálpebras, recolhem-se as lágrimas com a ponta de ouro de uma asa. A tua mão, firme em mim, a tua mão seguida do teu corpo e do fogo dos teus cabelos e seguindo a extremidade dos teus cabelos… vinte e cinco mil, vinte e cinco mil milhões de quilómetros sem te reconhecer, a distância exacta que separa a minha mão esquerda da oposta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o peso dessa distância carrego-o junto com o meu silêncio, é meu nesta viagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-5116239506959908083?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/5116239506959908083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/5116239506959908083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2008/01/iii.html' title='III'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-6048190249863514736</id><published>2007-12-14T09:47:00.000-08:00</published><updated>2007-12-14T09:48:04.174-08:00</updated><title type='text'>Restos de</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7ELqwLrSflE&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7ELqwLrSflE&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fTbObHbFbqg&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fTbObHbFbqg&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-6048190249863514736?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/6048190249863514736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/6048190249863514736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/12/restos-de.html' title='Restos de'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-1877189023960093467</id><published>2007-11-22T04:57:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T05:24:26.846-08:00</updated><title type='text'>Id</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Velho. Sente-se velho. Pesa-lhe a terra inteira sob os pés a cada passo, pesa-lhe todo o universo em cada respirar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na beira da pedra onde escolheu sentar-se, pesa-lhe, sobre a curvatura das costas, todo o tempo que viveu. Na palma da mão esquerda plana-lhe o olhar vazio, sem admiração contempla o enxame de galáxias que guarda no seu punho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que nome lhe dar? Na falta de não poder escolher nenhum ter, tem-nos a todos, porque no seu entender tudo e nada significam o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Velho não tem língua, conquistou o sagrado silêncio à custa de cortar a sua própria língua e lançá-la aos vermes que vivem no abismo da sua mente. Nos raros momentos em que se sente só, como no dia em que se sentou na pedra, limita-se a esticar o pescoço para os céus e abrindo a boca faz vibrar a sua garganta num profundo ecoar que se une no eterno movimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao Ermita ninguém olha nos olhos. Resvalaram os pés no limite do vazio negro e circular dos que tentaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passaram muitos dias desde que se sentou na pedra, dias e noites. Desabaram nuvens por inteiro sobre o seu corpo e o Abandonado, imóvel como uma estátua, vibrante e ressonante de cabeça erguida às estrelas até finalmente mergulhar profundo no seu silêncio, dispersando a solidão como se um bando de aves fosse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os seus desesperos eram feitos à medida da sua natureza, chamaria todos os Homens até si, tivesse ele língua para falar, para de uma só vez os reduzir a cinza na palma da sua mão. E a si não se pouparia, Ódio, desprezava-se igualmente, por vezes numa fúria desmedida fazendo agitar os mares e os solos revolverem. O seu ódio era tão perfeito quanto completo, do exacto tamanho do seu amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade amaldiçoava o dia em que tinha trocado o incesto com dragões para conhecer o Homem. Na verdade, a Verdade, amava de forma igual a sua actual simetria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E então caminhou para longe da pedra esquecido do que o fizera sentar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-1877189023960093467?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/1877189023960093467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/1877189023960093467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/11/id.html' title='Id'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-4209685437196542840</id><published>2007-11-16T06:42:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T05:24:39.740-08:00</updated><title type='text'>sem nome</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouve-me.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se um dia os espaços cederem, perdoa-me.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se for levado ao sono num vibrar imenso, perdoa-me.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hão de haver pássaros em susto a cruzarem o céu no fim de todas as noites.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;…a dispersão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejo-me de dorso curvado, cravado de estrelas, narinas dilatadas a expelir poeiras luminescentes, peito a expandir e contrair com uma violência métrica…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silencio!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouve-me!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perdoa-me, mas o eterno é limitado à circunferência dos meus Demónios, não há outro lugar onde se contenha. Difere tudo, tão-somente, no pormenor de em interna confidência eu lhes ter jurado que agora não se trata de quem vai ceder, mas sim, que se não cederem me perdem. Eles antes de ti.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-4209685437196542840?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/4209685437196542840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/4209685437196542840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/11/sem-nome.html' title='sem nome'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-4508237713214554147</id><published>2007-08-06T08:52:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:24:57.285-08:00</updated><title type='text'>Medo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acerca-te de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega-te bem perto do abismo e vislumbra o insondável, que eu faço o mesmo. E se sentires a força de braços serpentinos e, o atrito de escamas firmando junto das tuas costelas, não temas, não tremas, sou Eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-4508237713214554147?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/4508237713214554147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/4508237713214554147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/08/medo.html' title='Medo'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-5649555546043618076</id><published>2007-07-16T08:33:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:25:10.516-08:00</updated><title type='text'>O velho órfão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida é um cálice vazio, tentamos a todo o custo enche-lo mas não compreendemos que ele se enche de nós mesmos até ao dia em que transborda - isto dizia-me o meu pai há mais de 60 anos. &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Dizia&lt;/span&gt; também, enquanto sulcava a terra para a plantar, que a luz era como as sementes e as plantas que delas provinham, mais importante para ele eram as terras de onde brotava a vida do que a vida em si. A escuridão cósmica, para si, era o corpo do Senhor, todo Ele erguido e apoiado sobre si mesmo, majestoso e contemplativo, fazendo brotar de si o seu raro fruto, a luz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da terra o fruto, das trevas a luz, do silencio o ruído… &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Dizia&lt;/span&gt; ele, o meu pai, que a prova da existência e gloria do Senhor era confirmada na simples constatação de que ele era o inicio e o fim de todas as coisas, o fruto vinha da terra apenas para voltar mais tarde à terra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora moro exactamente na mesma casa, fico-me pelo alpendre a contemplar as estações a passarem na companhia dos gatos a quem pertenço. O cálice do meu pai já foi bebido há tempo de mais para me lembrar, recordo apenas o sonho que tive na noite em que partiu. Estava eu nu e sem idade deitado sobre um chão frio de uma sala como nenhuma outra sala, toda ela parecia não ter fim e no entanto via-lhe paredes de mármore a erguerem-se infinitamente. No meio da sala lá estava um cálice e sobre ele pingava um liquido provindo de um possível tecto. O cálice estava cheio e gota a gota acabou por transbordar. Uma mão tomou forma, e delicadamente colocou o pé do cálice entre o dedo médio e o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;anelar&lt;/span&gt; e com a palma apoiou o fundo erguendo até aos lábios que se materializaram num instante para o beber. Depois disso lembro-me de acordar rodeado pelas lágrimas do todos os que habitavam a casa, nunca mais vi o meu pai. Acabaram todos por partir e sobrei eu por acreditar que estando sozinho e afastado dos Homens se resolve o único problema da morte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje caiu mais uma estação, as cores do Verão atearam o Outono nos campos e até o meu corpo serve de poiso ao dourado do ar. A árvore dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;recém&lt;/span&gt;-nascidos está carregada dos seus frutos e ouvem-se os seus gritos mesmo por entre o ruído do vento em todas as outras árvores. Os gatos agitam-se e juntam-se ao choro do coro, agito-me eu também e caminho até à árvore para colher um fruto. Ao retirar o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;recém&lt;/span&gt;-nascido gera-se um estranho silencio, caminho de volta ao alpendre apoiando o bebé de encontro à pele macia e rugosa do meu peito, sento-me na cadeira de baloiço a contemplar o perfume de pavor exalado pela árvore.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Baloiço… baloiço… baloiço sem parar, a cabeça do menino encontra conforto no meu peito enquanto os seus lábios procuram os meus mamilos. Do olhar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;semi&lt;/span&gt;-consciente dos gatos sente-se a ternura do momento a acalmar os espaços entre os corpos, finca-se então a boca no meu mamilo esquerdo e as gengivas nuas a comprimirem a carne entre elas. O bater do meu coração, cada vez mais rápido, de encontro à pequena cabeça, as pequenas mãos a explorarem o meu peito e face, desenhando com a ponta cega dos dedos as minhas rugas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É assim todos os anos no primeiro dia de Outono, agora dois ou &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;três&lt;/span&gt; dias passarão em que apenas me deixarei estar aqui pelo alpendre até que o menino morra da minha fome, depois largo-o no meio dos gatos para o comerem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas só mesmo depois de morto, não sou uma pessoa cruel, não para os Homens e muito menos para os Gatos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-5649555546043618076?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/5649555546043618076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/5649555546043618076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/07/o-velho-rfo.html' title='O velho órfão'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-5193374806407837339</id><published>2007-06-28T05:34:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:25:24.550-08:00</updated><title type='text'>Sobre A Sede</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais uma vez o Deserto. A frequência com que o Deserto aparece nos meus escritos explica-se facilmente. No sitio onde vivo só se vê Deserto, seja qual for a janela que eu escolha. E por mais horas que perca sentado na soleira da minha alma a contemplar tão despidas paisagens, não me canso. Não poucas vezes, ou todas, dependendo da profundidade com que sou lido, também é verdade que a morte, ou a Morte, marca sempre o fim do que escrevo, mas quanto a isso pouco posso fazer, a morte é vulgar, é o que de mais trivial há na vida e é sempre o fim de todas as historias. Não seria por viver no Deserto que ela se tornaria mais ou menos vulgar, por aqui também se morre como em todos os outros sítios. A diferença está, a meu ver, no tempo que decorre entre o nascimento e a morte, a vida, que aqui tem um valor maior do que em outro qualquer local no mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste local tudo é belo, foi isso que me levou a assentar Lar por aqui, antes de se conhecer o Deserto tudo no mundo nos parece adquirido, como se os corpos, animados ou inanimados, não fossem donos de qualquer existência e apenas fossem por si mesmos, sem lutas, sem terrores. Mas da primeira vez que se estabelece o dialogo entre os nossos abismos e este mundo, compreende-se tudo de forma diferente. Hoje sei que moro distante de tudo e todos, mas sei também que os Homens que vêm até mim tiveram de passar um Deserto para me chegar e se o passaram até esta morada foi porque dentro deles existe, antes de um amor à minha pessoa, um Amor maior a tudo o que significam estes espaços, uma compreensão das Sedes que aqui reinam. E eu sei que sou infinitamente mais pequeno em tudo que o Deserto, e mesmo morando em todos os recantos dele, sei o ridículo que é quando uma voz Humana nos diz amar mais que tudo no mundo… Ora bem, uma voz destas só pode ser de uma alma toscamente talhada ou de alguém que mesmo tendo pisado as areias nunca as conheceu. E a esses, eu que me tornei também Deserto, como já escrevi, tenho somente para oferecer a ilusão, e julgo que não por culpa minha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que quero dizer, nesta carta dirigida aos que habitam os meus espaços vazios, é que quando se está no Deserto não se deve procurar formas de matar a sede, mas antes formas da Sede ser a nossa Morte. Porque se o matar da sede é em si mesmo um fim, o acabar de uma vontade que nos move, a Morte pela Sede é o continuar de um caminho movido pela vontade rumo ao eterno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Sei que não tinha de escrever nada disto, poderia limitar-me ao Deserto das palavras onde eles igualmente me conhecem. Mas antes de escrever este texto, enquanto mais uma vez olhava as minhas areias, lembrei-me que na vida as pessoas que amo são raras como os Desertos e que nunca posso possuir delas mais do que dois punhos cheios.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-5193374806407837339?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/5193374806407837339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/5193374806407837339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/06/sobre-sede.html' title='Sobre A Sede'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-1840785997371526633</id><published>2007-06-26T07:10:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:25:37.227-08:00</updated><title type='text'>A Figueira</title><content type='html'>&lt;a href="http://galen-frysinger.com/North%20Africa/libya155.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; text-align: center;" alt="" src="http://galen-frysinger.com/North%20Africa/libya155.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Floram no chão as chamas do meio-dia e os subterrâneos vapores que turvam o horizonte. Fora o canto áspero das cigarras, toda a vida aparenta estar ausente deste mundo, apenas Urukagina se arrasta verticalmente como que embalado pelo ziziar dos machos… senta-se na sombra perfumada da Figueira ensaguentando o solo com o seu suor e já coberto pelo sombrio lençol, prende os olhos nos leves seios que desenham a paisagem de Sirpula. Pretende esquecer-se dos Homens e dos Deuses, por isso abandonou a sua cidade em plena hora de morte no Verão e partiu em busca de uma arvore da qual pudesse ver todo o Mundo livre do que não fosse Mundo, virando as costas aos que o amavam e ao seu majestoso templo que riscava os céus. O coração bate-lhe pesado no peito fazendo pulsar até a alma, ainda com o respirar profundo como os poços do deserto estende o corpo ao comprido sobre o vermelho das terras apoiando a cabeça nas raízes da Figueira. Todo o seu ser vibra com a frescura desta sombra, abandonado lentamente pelo cansaço que o ia carregando ao longo da sua caminhada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na copa da arvore os frutos encontram-se inchados, grandes como punhos cerrados, cobrindo Urukagina com o seu mel, mas ele ignora-o, perde-se agora nos espíritos que rodopiam à distancia sobre as areias e no bando de abutres que nas alturas parece acompanhar os espíritos nas suas danças espirais, junto com eles também o seu pensamento vagueia para longe da terra dos Homens e do seu próprio corpo. Anseia apenas não abandonar mais este lugar, não regressar ao seu reino, feito do Homem que ele é para todos os outros Homens que o habitam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite chegou e partiu, muitas outras noites se passaram e juntamente com elas caiu Sirpula primeiro e depois todos os reinos, impérios e nações. Urukagina, ainda agora se encontra deitado debaixo da mesma Figueira, mantido vivo pelo eterno néctar dos figos que lhe desagua nos lábios, nem a dormir nem acordado, apenas a passear os seus sonhos de olhos bem abertos, juntamente com os espíritos do deserto e os bandos de abutres que dançam ao som do cio das cigarras, longe de si, longe dos tempos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-1840785997371526633?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/1840785997371526633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/1840785997371526633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/06/figueira.html' title='A Figueira'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-6249438035441153107</id><published>2007-06-22T02:59:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:25:52.155-08:00</updated><title type='text'>II</title><content type='html'>&lt;a href="http://files.blog-city.com/files/aa/48142/p/f/time_inside.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://files.blog-city.com/files/aa/48142/p/f/time_inside.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda cativo do comboio lancei-lhe a âncora do meu sono e agora resido nestas eternas viagens. Esmagado pelo peso dos olhos, de tempos a tempos ainda vislumbro todo o mundo cheio de dormência a correr lá fora. O mar, o rio e os céus passam-me fugazes e distantes até se perderam de novo no sonho. Já me perdi até no tempo, juro que não sei há quantas Eras aqui estou... Do oceano para o rio e do rio para o oceano, viagem sem fim e sem ponto de partida ou chegada, escuto apenas o eterno murmurar das carruagens a deslizarem sobre os carris feitos de metálico tempo e uma vez por outra, o grito da velha Leviatã que vive nas margens líquidas do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A chuva parou, desperto com os guarda-chuvas a debandarem como pássaros pela minha janela. Os braços do sol escapam-se em esforço por entre as nuvens estendendo-se até tocarem na superfície do chumbo das águas. Todo o céu se revolta numa dinâmica lânguida ao erguer da Leviatã, aí, antes de me perder de novo, mergulho o pensamento nas planícies do firmamento, ouvindo cada vez mais distantes as vozes dos fantasmas. Até esse silencio se tornar na minha voz e por fim, na antiga língua das serpentes.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-6249438035441153107?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/6249438035441153107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/6249438035441153107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/06/ii.html' title='II'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-2680512386012154034</id><published>2007-05-31T07:11:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:26:06.530-08:00</updated><title type='text'>Insónia Febril</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.stephenkasner.com/images/painting_sleep.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.stephenkasner.com/images/painting_sleep.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deveria estar acordado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e não durmo,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;escorrem-me as horas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pesadas como sombras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pela face,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;cola-se-me o tempo ao corpo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto esta madrugada corrompida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia artificial como uma peste&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;afugenta o sono das paredes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e o tempo arrasta-se enfermo,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;dependurado no que resiste à luz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;...de mim não se aparta,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não cala o sopro de quem chora,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não pára o grito sussurrado,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o desespero incontido por me conter.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há nas minhas sombras um frio profundo que se me crava nas costas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;uma vigília de morte que não me deixa morrer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-2680512386012154034?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/2680512386012154034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/2680512386012154034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/05/insnia-febril.html' title='Insónia Febril'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-5958234397137326664</id><published>2007-05-30T09:11:00.001-07:00</published><updated>2010-01-11T05:26:24.838-08:00</updated><title type='text'>Abismo</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.enjolrasworld.com/Jess%20Nevins/Smax/Glycon.JPG"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.enjolrasworld.com/Jess%20Nevins/Smax/Glycon.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Forma-se o tempo aqui&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;na ausência de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Edificam-se torres&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de formas fragmentadas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e as sinistras silhuetas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sobre quem nem as velhas cobras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ousam sibilar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percorro-me aí&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;perdido em labirintos desprovidos de paredes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;há muito desgastados pela fricção das asas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corpo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Templo inútil&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;abandonado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Serve-se a glória eterna&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;em corredores de fogo inalados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e sonhos de dragão primordial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na língua dormem palavras antigas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;escoadas pelos olhos fixos no abismo ascendente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O universo dilui-se docemente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;na minha boca de Inferno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que caminho decidi tomar…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coroam as margens as ruínas dos edifícios humanos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e no trilho, miríades de anjos,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;como insectos,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;cobrem o solo no ultimo dos sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que caminho…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Basta-me brindar à vida,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;com um cálice cheio de Morte.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-5958234397137326664?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/5958234397137326664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/5958234397137326664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/05/forma-se-o-tempo-aqui-na-ausncia-de.html' title='Abismo'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-2408169587264444620</id><published>2007-05-25T06:44:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:26:38.611-08:00</updated><title type='text'>Manhã de Maio</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_nYj8hwwuxTU/Rl7f41JpzTI/AAAAAAAAAAM/ztoCL83adyE/s1600-h/hurtbad.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5070736397898992946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_nYj8hwwuxTU/Rl7f41JpzTI/AAAAAAAAAAM/ztoCL83adyE/s320/hurtbad.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No despertar o corpo está morto. Desmente-se apenas pelo calor latejante do sexo e pela sensação de fome. Lá fora, embora primavera, não são os pássaros que cantam mas os céus que desabam com harmonia de encontro ao solo. O sol afastou-se deste pedaço de terra faz uma semana e Deus na tentativa de ocultar tão estranho cataclismo, cobriu os céus de cinza invernal, para salvar os Homens de tão grande monotonia trajada de pálido e insalubre azul. De volta à terra, o tabaco é cuidadosamente lavrado sobre a mortalha enquanto o cadáver agora acordado se desenrola lentamente da sua. Inspira… Parece de facto o primeiro respirar desde há muitas horas, o fumo ocupa o interior do corpo com gentileza e espanta a fome, ao expirar, os olhos ainda a deambularem entre mundos, acompanham o fumo, como se ele levasse em si diluídos os primeiros pensamentos do dia e os últimos da noite. Mais um cigarro ainda antes do corpo se erguer, de facto parece que não há veneno que chegue. E o corpo desliza sem pensar, detêm-se apenas por mais alguns momentos coberto pelo manto de água que desaba do chuveiro, ali inebriado pela amena vertigem do tabaco matinal, parece que a morna temperatura dos pensamentos se funde com o ar. Com a toalha retiram-se as ultimas gotas desta sublime droga e como que a levitar… eis o mundo exterior. Efectivamente os sentidos cegos não mentiram, os cascos do Inverno mostram-se vigorosos em pleno fim de Maio, destroços de céu cobrem as ruas e as pessoas que caminham sobre os destroços parecem elas mesmas destroços mas sem estarem cobertas de céu algum. Meto-me no carro rumo à estação dos comboios, como uma lamina corto lentamente esta massa uniformemente cinzenta enquanto contemplo todo o amargo da beleza do mundo. A fome volta a ferir-me o estômago e os céus a cariem com mais veemência, ainda no interior do carro preparo mais um cigarro para me alimentar. Caminho então para o comboio de cigarro resguardado na mão, é bom sentir o frio da chuva a beijar-me a cara e o respirar desta Primavera moribunda que maternamente mantêm o ar quente. Rodeado pela náusea colorida dos chapéus-de-chuva apago o cigarro e entro na carruagem, jogo-me de novo à morte.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-2408169587264444620?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/2408169587264444620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/2408169587264444620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/05/no-despertar-o-corpo-est-morto.html' title='Manhã de Maio'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_nYj8hwwuxTU/Rl7f41JpzTI/AAAAAAAAAAM/ztoCL83adyE/s72-c/hurtbad.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-1045903006530247462</id><published>2007-02-27T07:40:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T05:27:01.728-08:00</updated><title type='text'>ABSTRACTOSSOIS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_nYj8hwwuxTU/SU0iAHa-MTI/AAAAAAAAADM/_rgdP2G5Ig4/s1600-h/bfogo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_nYj8hwwuxTU/SU0iAHa-MTI/AAAAAAAAADM/_rgdP2G5Ig4/s320/bfogo.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281915323362980146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A meio caminho entre o Animal e os Deuses… Contam-nos isso como se entre esses dois pontos, mais ou menos próximos, uma linha ou um caminho houvesse a ser percorrido por nós Homens. Um objectivo em que nos teríamos de tornar Divinos,.Uma obrigação, talvez provocada por uma brincadeira de mau gosto com proporções cósmicas, em que este objecto foi lançado da mãe de todas as torres para que ao chegar ao solo lhe fosse dito enquanto ainda moribundo – Agora que te tornaste verme ascende novamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aqui nos temos… e enquanto Homens pouco mais temos que fazer do que comer, dormir e procriar. Nos espaços intermédios, consome-se o tempo com o trabalho, para que o comer, o dormir e o procriar sejam possíveis com o máximo das comodidades. No fundo pouco não temos de animal, apenas devido à nossa complexidade acabamos por complicar o simples, possibilitar o impossivel. Sobra-nos a abstracção, a nossa riqueza e que com a avareza de quem duvida das vantagens advindas de um negócio concluído, queremos a todo o custo arrogar como nosso, para que o pouco tempo que agora nos sobra do "assegurar do básico" tenha um ganho verdadeiramente relevante. E o absurdo é tal que há entre nós quem dedique todo o seu tempo a tentar comprovar esta qualidade como algo unicamente Humano. Esta e outras irrelevâncias são em ultima analise campos filosóficos e são elas, quando no corpo do Filósofo, o caminho para a Divindade, e o Filósofo em si a incorporação do Homem que aos poucos vai abandonando a Humanidade. O Filósofo “puro” é o absurdo, o parasita… o sem linhagem. Só ele pode compreender que o caminho para abandonar o Homem é o Homem abandonar-se a si enquanto espécie. Votar-se ao esquecimento cósmico, ganhando assim o seu corpo divino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Serão então os Deuses pura abstracção, não no sentido em que são um fruto dessa qualidade Humana mas no sentido em que existem por si mesmos e que eles próprios são abstracção. Seres desprovidos de qualquer necessidade Animal e que cada vez que nas suas abstracções se deixam mergulhar um pouco mais profundamente...chegam a criar universos. Como consequência nasce o irrelevante, ou seja, tudo o que existe. O corpo contido e o que contem são unos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;em&gt;Jehovah&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Satan&lt;/em&gt;, construção e desconstrução, Mãe e Pai, são as duas faces da Abstracção cósmica. Sem &lt;em&gt;Jehovah&lt;/em&gt; não nos teríamos tornado Homens e sem &lt;em&gt;Satan&lt;/em&gt; não nos poderíamos abandonar. Creio que, embora profundamente irrelevante, chegará o momento da união, da Morte total, do esquecimento eterno. Sem carne, sem espírito…Divino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-1045903006530247462?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/1045903006530247462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/1045903006530247462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2007/02/abstractosois.html' title='ABSTRACTOSSOIS'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nYj8hwwuxTU/SU0iAHa-MTI/AAAAAAAAADM/_rgdP2G5Ig4/s72-c/bfogo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15428752.post-115953402097180519</id><published>2006-09-29T05:44:00.000-07:00</published><updated>2010-01-11T05:33:58.500-08:00</updated><title type='text'>Eu, Deserto</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2343/80/320/noir.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2343/80/320/noir.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando me vi...era uma figura escassa, caminhava curvado como se o peso do tempo que carregava forçasse os ossos a ceder. Ao fundo montanhas invisíveis, incoerentes na sufocante planície circundante. Havia abutres a cantar e cadáveres a dormir mas invisíveis também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentei-me numa pedra à beira de um rio, lavei a cara, bebi o rio para lavar a alma e ainda insatisfeito subi o leito agora seco. Permaneci imóvel dias e noites algures junto à defunta nascente, queimado pela chama e pelo gelo, de pele gretada como se desfiladeiros fossem,esperei e esperei...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao fim de algumas vidas continuei a andar,procurei um local para me deitar na homogénea planície.Então dormi e tornei-me deserto.Dormi mal,num vazio de sonhos agitados.Ao acordar a minha pele já era feita do pó do deserto, habitavam-me escorpiões em cada recanto e até debaixo das pedras do pensamento os encontrei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abençoado seja o seu silencio e o seu veneno, sempre maiores em tudo que as palavras do Homem e a intoxicação de simplesmente o ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde aí esperei sempre pela noite para os acompanhar.Comeram-me os olhos, o sexo e até os dentes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15428752-115953402097180519?l=dasminhastempestades.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/115953402097180519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15428752/posts/default/115953402097180519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dasminhastempestades.blogspot.com/2006/09/eu-deserto.html' title='Eu, Deserto'/><author><name>Phobos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02099017954665603864</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://i170.photobucket.com/albums/u245/LPhobos/anim.gif'/></author></entry></feed>
